Quando a única coisa que faz sentido na vida são coisas inúteis é sinal que a vida já acabou há muito tempo. Ultimamente, a falta de sentido em tudo é tão evidente que chega a ser notável até mesmo nas coisas mais simples. Me mataram num domingo triste, nem sequer me enterraram e agora sou apenas um corpo cheio de ossos chacoalhando por aí. Não tem problema. Então é só isso. O que sobrou de mim não dá pra continuar numa vida decente... O jeito é persistir. Um brinde em homenagem a vida que já morreu. Adeus.
Who cares
Seja um bom leitor e se indigne com esses disparates postados aqui!
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Toda Forma de Amor (The Beginners): minhas impressões.
Oliver (Ewan McGregor) é um jovem contemporâneo norte-americano. Classe
média, mora em uma linda casa em Los Angeles, trabalha como designer numa
empresa do momento, é inteligente, elegante, bonito e infeliz. São as reflexões
e memórias desse moço apático que dão forma e sentido ao filme Toda Forma de
Amor (The Beginners, 2010), uma obra que, de modo geral, podemos dizer,
está debruçada sobre a complexidade hodierna das relações familiares. O pai de
Oliver, o curador de arte Hal Fields (Christopher Plummer, ator que ganhou o Oscar por
sua atuação coadjuvante nesse filme) vive seus últimos momentos de vida, vez
que sofre com um câncer terminal. O trágico, no entanto, não reside na
eminência da morte de Hal, homem de terceira idade que atravessa por um
processo relativamente natural de fenecimento. O trágico em The Beginners está
na ironia cruel que envolve a família de Oliver. Após a morte de Georgia (Mary
Page Keller), a sua mãe (um acontecimento apenas citado no filme, mas não
tratado de forma muito objetiva - o enredo da obra se constrói mesmo em torno
da morte do pai de Oliver), Hal decide revelar para Oliver que é gay. Essa
revelação provoca profundos impactos na sua vida, fazendo com que ele comece,
então, a entender melhor o vazio sobre o qual, durante 40 anos, constitui-se o
casamento de seus pais.
The Begginers é estruturado em uma linguagem não linear, que,
portanto, trata a cronologia da vida de seus personagens de forma difusa, quase
líquida. Um recurso que, antes de confundir, faz com que o espectador mergulhe
no universo sincrônico da obra - tão sutis são as fronteiras entre o presente e
o passado na realidade de Oliver. Dessa forma a audiência é levada a perscrutar
a autoafirmação tardia de Hal, assim como as dificuldades que esse homem, no
alto de seus setenta anos, enfrenta ao exercer sua identidade gay, em um mundo
dominado pela juventude.
A incursão de Hal no mundo gay é objetivada a partir das memórias de
Oliver, que narra a transformação do pai por meio de um tom levemente perplexo,
mas, de certa forma imparcial, quase frio.
Esse elemento do filme lhe confere seus momentos mais cômicos, dada a
forma leve, porém não menos livre de um não sei o quê de tristeza e decadência,
com que a imersão de Hal no circuito homossexual de Los Angeles é retratada.
Cristopher Plummer compôs um homem menos amadurecido pelo exercício de sua
natureza do que pelas experiências infelizes da repressão sexual de uma
sociedade puritana. Um personagem muitas
vezes inocente e deslumbrado diante das novidades de uma vida a qual, até
então, só tinha sido possível conhecer as sombras.
Hal passa a participar de coletivos GLS, namora um rapaz 40 anos mais
jovem, e assume o hábitus de senior gay com o qual sempre
sonhou. Vive seu auge pessoal durante quatro
anos, até descobrir que está com seus dias contados. A vida na qual havia tão
recentemente principado, como um jovem no limiar de seus caminhos – a beginner - teria que ser interrompida
de forma inexorável. Ele compartilha
essa realidade trágica apenas com seu filho, o nosso narrador, que passa, com
isso, a carregar nos ombros toda a infelicidade com a qual, acredita ele,
estiveram entretecidas as existências de seus pais.
Diante da constatação de uma realidade subterrânea no seio de sua
família, Oliver começa questionar a lógica sob a qual se apresentava a versão
“oficial” dos fatos que, até então, fundamentavam o seu modo de ver e viver no
mundo. Esses novos dados o fazem viajar
de volta para o mundo solitário de Georgia, a sua mãe, e testemunhar, mais uma
vez, e então incisivamente, a forma como ela estava presa a um casamento
automático e sem vida. Oliver faz uso da memória coletiva de seu tempo - o
espírito impresso nos jornais, nos filmes e nos anúncios publicitários - para
nos dizer como os imperativos sociais foram preponderantes para confinar a
identidade sexual de Hal. Ele mostra, através desses recursos relativamente
externos ao caso, a forma como a sociedade norte-americana operava na a
concepção de um modelo padrão para a instituição familiar. Esse é o plano de
fundo de The Beginners: um argumento que se sugere como o ditame para as
dinâmicas objetivadas no filme. Um plano que fala da crudeleza velada com a
qual são tratadas as relações e os fenômenos sociais que não concordam com
aquele padrão estático e incontestável pincelado nas reflexões de Oliver.
The Beginners tem como acessório fundamental a relação de Oliver
com Ana (Mélanie Laurent), uma atriz francesa que, ao seu modo, também
atravessa por crises existenciais. É no envolvimento desses dois personagens
que se aprofunda o que, digamos assim, podemos chamar de “a moral do filme”. O
romance de Oliver e Ana é intensamente marcado pelos traumas familiares que
esses indivíduos, com destaque para o padecimento de Oliver, carregam para suas
vidas adultas. O casal de namorados não é capaz de escapar da sombra de seus
pais, exemplos práticos do fiasco irreversível que pode ser a vida conjugal.
Estão, portanto, embargados pelo medo de principiar naquela que pode ser a
única tentativa certa de alcançar a felicidade - tão sólida é a herança maldita
de seus progenitores. Psicanálise pura.
A presença marcante de Laurent, e não só isso, como também toda a
atmosfera fluída e a sensação de que o filme foi gravado em grande parte sob
aquela orientação revolucionária de “ideia na cabeça e câmera na mão”, faz com
que, em muitos momentos, The Beginners traga algo do prolífico cinema
francês dos anos 1960 e 70. Mike Mills,
ao que tudo indica, concebeu esse filme como um belo tributo à Nouvelle Vague:
impossível não lembrar de filmes como A
band apart (Jean-Luc Godard, 1964) ao assistir a sequência em que o casal
protagonista vai a um clube de patinação, cria caso por causa do cachorro de
estimação de Oliver, anda de patins pelas ruas de Los Angeles e finda, ainda
sobre os patins, num passeio pictórico pelo corredor de um luxuoso hotel.
O filme é muito bom. Não vou contar o final. Pra isso existem os DVDs
nas locadoras e os arquivos disponíveis na web que podem trazer pras suas
vidas, muito melhor do que este meu texto, a beleza e as verdades nem sempre
belas que The Beginners encerra em si.
Amor,
Wyncla.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Cravos da Libertinagem, o logo.
Acredito que seja esta a vibe essencial do grupo: uma rede pra difusão da arte, orientada pela liberdade. O fato de termos a logo pensada pelo Clóvis, um cara que, por estar em outro município, tem uma ligação relativamente indireta com o coletivo, demonstra bem isso. Ademais, essa colaboração mostra que nosso movimento tá conseguindo tocar e inspirar as pessoas. Esperemos que seja a primeira de muitas produções que, por meio do Cravos, vai ganhar espaço e levar as nossas ideias pro mundo.
Três e quarenta e cinco da manhã; eu estou no banheiro. Passei o dia parecendo que dentro de mim havia umas cem mil agulhas machucando meu empobrecido e cansado coração. Insuportável. Apesar da babaquice generalizada, querida, eu ainda consegui me manter são, na medida em que isso é possível, é claro.
Deixo a água percorrer todo o meu corpo. Concentro-me em sentir cada pingo do chuveiro em meu corpo, pois isso me faz esquecer brevemente das porras das cem mil agulhas que inutilizam meu coração gradualmente. Deito em minha cama paudurecente*, mas do que adianta se eu não tenho com quem foder? As bebidas não me proporcionam prazer nenhum e o cigarro agora é apenas um passa-tempo ridículo.
Lembro que eu costumava sorrir e o dia era radiante e colorido quando estávamos juntos. Entretanto, ultimamente, nem me lembro qual o som do meu sorriso, quais são as cores que existem além de preto e branco. Ainda estou com o pau durão, mas não sinto vontade de gozar, não sinto amor.
Ass: Viesczy
*Paudurecente: ereção saudável; coloquialmente, ficar de pau duro.
domingo, 15 de abril de 2012
O Encontro do Rock com a Inteligência
Por João Pulo do http://livridade.blogspot.com.br/
Dia desses, assisti o Jô Soares e vi um metaleiro que se tornou um
grande cantor de ópera. Sujeito simples, agradável e muito inteligente. O
cantor revelou-se ouvinte do rock apenas no final, causando admiração. Lembrei
imediatamente de umas tribos que falavam coisa do tipo o do por que “que todo
roqueiro se acha inteligente”?! Esta afirmação, todo amante dos Yardbirds e Led
Zeppelin confirma: achamo-nos, de fato, (mais) inteligentes.
Escrevo
este texto para demonstrar que não se trata de auto-proclamação ou arrogância,
mas, sobretudo, um fato que tem origem nas dinâmicas da realidade, na
experiência concreta. Por isso mesmo se trata não de uma verdade absoluta e sim
de uma tendência social.
A Rotina
não ajuda
O
primeiro fato influente é a própria música, sua batida, sua lógica. Os
cientistas já perceberam que a rotina vicia o cérebro, torna-o
"preguiçoso": impede à criatividade, o raciocínio, a abstração. Como
o cérebro pode abstrair numa música de pagode que repete a mesma frase 18 vezes
em uma música de apenas uma estrofe? Cláudia leite ainda não acordou para esta
realidade. A música tem-se empobrecido: letras óbvias, músicas repetitivas,
simples demais, batidas sem surpresa. Uma merda é claro.
Já o rock
é complexo: as letras e músicas valorizam a surpresa, a desconstrução da lógica
musical, a mistura, a letra de mensagens qualificadas. Um solo de Jimi Hendrix
ou uma música desconcertante do The Clash revolucionam, surpreendem, assustam.
Resultado: massa cinzenta ativa.
The
Clash: Revolution Rock, it is a brand new Rock. I said: a bad, bad Rock, this
here Revolution Rock.
A curiosidade no rock
O segundo aspecto é que o rock estimula a
busca de conhecimento. O movimento Punk Rock, por exemplo, leva a juventude a
conhecer teorias revolucionárias, ou que se consideram como tal, como o
marxismo e o anarquismo; Blind Guardian leva seus fãs a ler toda a obra de
J.R.R. Tolkien (livros enormes e literatura vasta); Kiko Loureiro, além dos
solos da Angra, nos mostra a música clássica e outros estilos dedilhando a sua
guitarra. A música de inspiração Dark Wave me levou, por exemplo, a Robert Smith
do The Cure (um poeta massa do Post-Punk, recomendo).
Ou seja: é um estilo que estimula o intelecto, a
curiosidade, a busca de informações, de teorias e explicações. Isto, por outro
lado, não é uma dádiva do Fantasmão ou de Joelma. O rock é um estilo que sua
lógica musical expulsa a rotina tendo por consequência o desenvolvimento
cerebral. Além do mais, as letras em inglês, por exemplo, não só atuam pela
positiva na busca pelo domínio de outras línguas como também estimulam a
abstração (algo que a cultura globalizada limita).
Há outro aspecto importante: é um estilo que
estimula a liberdade sexual. A curiosidade também aí faz a diferença. A
liberdade sexual que proporciona o rock já é estudado na psicanálise como fator
de uma ampliação da consciência. A relação do indivíduo com o sexo altera o
pensamento.
Empiricamente, muitos perceberam, mesmo sem uma
explicação, um talento intelectual especial daqueles que apreciam um bom Rock
& Roll, como os Stones o The Who. Hoje não ando sempre de preto, não vou a
ambientes típicos de um roqueiro, não toco guitarra e ainda amo Samba e MPB – e
provavelmente continuarei amando. Mas no Notebook tem que ter uma boa
quantidade de bytes destinados a um som mais violento e – veja só – relaxante.
Retirado e Adaptado do http://livridade.blogspot.com.br/2012/04/o-encontro-do-rock-com-inteligencia.html
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Sexta – 13 - Libertina...
Cravos da Libertinagem Apresenta: Sexta - 13 - Libertina ...
... Uma sexta estúpida,
com bandas escrotas,
poesias esdrúxulas e filmes decadentes ...
... Uma sexta estúpida,
com bandas escrotas,
poesias esdrúxulas e filmes decadentes ...
Se você for vir, pegue o dinheiro que seria para sua entrada
e traga o seu vício ( e compartilhe ).
Traga também sua poesia para recitar e colocar no varal.
UFOPA, Campus Rondon, às 22h.
Link do Facebook:https://www.facebook.com/events/399552463403280/399589570066236/?notif_t=plan_mall_activity
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Para
você, que nunca vai ler isso...
Então
foi só isso, é claro. Você sempre dizia que me mataria, mas agora,
que me torturou até a penúltima gota de sangue, não tem coragem de
apertar o gatilho e tirar a última. Pior do que a morte é viver
morrendo aos poucos(thank you very much, fuck you too). Esse não é
um texto de tristeza onde as pessoas começam a refletir nas
experiências ridículas que tiveram, apesar de ser um funeral,
afinal, alguém morreu.
Não
consigo mais lidar com a criatividade patológica dos mentirosos e
agora umas dessas pessoas morreu, mais essa. Sentirei saudades desses
desafortunados, maravilhosos cretinos. A chuva leva na lama todo o
lixo e agora ela está indo junto.
Você
não podia fugir e me fez ficar nessa cidade escabrosa. A gente viveu
como um casal evidentemente morto durante todo o tempo, tal como no
mundo estranho de Jack onde ele vivia com Sally. Eu lia suas cartas e
lá estavam escritas mentiras convenientes de eterna solidão. Você
sempre me chamou de canalha, mas, querida, é você quem nunca
deixará de ser uma vaca. Aquelas tardes - onde a lucidez não
passava de fantasia, onde o vinho era a consciência, onde a música
era a arte e onde o amor era a solidão - foram pintadas nos seus
quadros surreais com meu sangue no jardim da sua casa.
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