Who cares

Seja um bom leitor e se indigne com esses disparates postados aqui!

domingo, 8 de julho de 2012

Um dia a gente cansa



     Não se passaram nem quatro horas e eu já esqueci de quando você tentou me matar - pela segunda vez, inclusive. Tento lembrar, mas não consigo; não consegui manter a raiva que senti de te mandar pro inferno também. Agora eu te vejo aqui na minha frente, junto comigo de novo. Há quatro horas eu queria você na puta que pariu, mas agora eu te quero fazer a mulher mais feliz do mundo, dar ao máximo o que sou capaz. Mas então o que aconteceu pra eu mudar de opinião assim num período tão curto de tempo? Sei lá! 
     Talvez eu seja mesmo o mais otário entre todos os otários da humanidade, mas e daí? Hoje eu tomei sorvete e até fui amável com as pessoas. Um dia você passa além dos limites que eu posso suportar e aí será eu quem vai vencer. Deixa pra lá. Você não entende e eu estou usando as palavras erradas pra dizer o que eu quero que você entenda.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Poesias de momentos

Momentos

I

Em instantes de vazios,
resta-nos o observar,
o absorver e o viver!
Mas nunca inexistência.

Negar a existência é
                   negar-se!

II

As vezes parece confusão,
alias, é em si, e, por si
própria contraditória.
Nunca se encontra,
ficando apenas
em olhares.
quereres,
desejos...

Sim! é o momento,
ele por si só
é inseguro
de falares!

III

E a vida corre,
esconde-se,
refugia-se!
Ela está?
- Não está!

E lá vai o mundo
girando, girando!
E eu girando,
ora, como não?
Eu sigo o que sigo
e o que não sigo.
Tento ser conciso,
mas não consigo!
- Impossível!?

IV

 O movimento
é o momento,
por mais
que eu pense no depois
prefiro o momento,
tanto como referencial
quanto norteador.
Estou pouco me fudendo
para quem não acredita,
é claro!
O momento é algo
importante,
sublime,
superficial.
E o que mais
me importa
é sua...
(in)perfeição!

V

Declaro-me
nestes versos
tão loucos
quanto o dia
raiando horizontal!

Declaro-me
em linhas tortas,
quase mortas,
sobreviventes,
de bainhas
degastadas
pelo tempo
de espera, claro!

finale: O quê?

texto: Edu Cuia

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Antes de "On the road" - Abril despedaçado


Neste ano é a estreia do novo filme do diretor Walter Salles, que tem muitos sucessos como "Central do Brasil" e "Diário de Motocicleta" e atualmente com um novo filme que promete "On the road" baseado na grande obra do mestre beat, Jack Kerouac. Bem, mas antes de tudo gostaria de falar, em que minha opinião é uma obra sagrada do diretor brasileiro: Abril despedaçado.




Abril Despedaçado é um filme em que o diretor Walter Salles mostra um Sertão na perspectiva de uma briga entre famílias que atravessa gerações, onde Tonho (Rodrigo Santoro) tem a obrigação de vingar a morte de seu irmão quando o sangue da camisa esticada ao vento amarelar. A trama é narrada pela figura do personagem “Menino” ou "Pacu" (Ravi Ramos Lacerda) que quebra as barreiras emotivas dos expectadores com sua poética nua e crua que causa confusão nas mentes que se perguntam: o que é o menino? é um herói? é um rebelde que se rebelou com a autoridade de seu pai? não se sabe.
O cenário de Abril Despedaçado é o Sertão Nordestino com o visual amarelo que faz combinação com o sangue e as roupas sujas e imundas. O tempo parece ser sempre o mesmo, pois as ações são  repetitivas, os personagens principais levam uma vida alienada, pois assim como os bois eles giram, giram e giram em torno da máquina de moer cana (suor, sangue) e nunca saem do lugar.


Texto: Edu Cuia
Fonte: http://puraque.org.br/cineclube/

terça-feira, 5 de junho de 2012

Já volto


     Quando a única coisa que faz sentido na vida são coisas inúteis é sinal que a vida já acabou há muito tempo. Ultimamente, a falta de sentido em tudo é tão evidente que chega a ser notável até mesmo nas coisas mais simples. Me mataram num domingo triste, nem sequer me enterraram e agora sou apenas um corpo cheio de ossos chacoalhando por aí. Não tem problema. Então é só isso. O que sobrou de mim não dá pra continuar numa vida decente... O jeito é persistir. Um brinde em homenagem a vida que já morreu. Adeus. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Toda Forma de Amor (The Beginners): minhas impressões.


Oliver (Ewan McGregor) é um jovem contemporâneo norte-americano. Classe média, mora em uma linda casa em Los Angeles, trabalha como designer numa empresa do momento, é inteligente, elegante, bonito e infeliz. São as reflexões e memórias desse moço apático que dão forma e sentido ao filme Toda Forma de Amor (The Beginners, 2010), uma obra que, de modo geral, podemos dizer, está debruçada sobre a complexidade hodierna das relações familiares. O pai de Oliver, o curador de arte Hal Fields (Christopher Plummer, ator que ganhou o Oscar por sua atuação coadjuvante nesse filme) vive seus últimos momentos de vida, vez que sofre com um câncer terminal. O trágico, no entanto, não reside na eminência da morte de Hal, homem de terceira idade que atravessa por um processo relativamente natural de fenecimento. O trágico em The Beginners está na ironia cruel que envolve a família de Oliver. Após a morte de Georgia (Mary Page Keller), a sua mãe (um acontecimento apenas citado no filme, mas não tratado de forma muito objetiva - o enredo da obra se constrói mesmo em torno da morte do pai de Oliver), Hal decide revelar para Oliver que é gay. Essa revelação provoca profundos impactos na sua vida, fazendo com que ele comece, então, a entender melhor o vazio sobre o qual, durante 40 anos, constitui-se o casamento de seus pais.
The Begginers é estruturado em uma linguagem não linear, que, portanto, trata a cronologia da vida de seus personagens de forma difusa, quase líquida. Um recurso que, antes de confundir, faz com que o espectador mergulhe no universo sincrônico da obra - tão sutis são as fronteiras entre o presente e o passado na realidade de Oliver. Dessa forma a audiência é levada a perscrutar a autoafirmação tardia de Hal, assim como as dificuldades que esse homem, no alto de seus setenta anos, enfrenta ao exercer sua identidade gay, em um mundo dominado pela juventude.
A incursão de Hal no mundo gay é objetivada a partir das memórias de Oliver, que narra a transformação do pai por meio de um tom levemente perplexo, mas, de certa forma imparcial, quase frio.  Esse elemento do filme lhe confere seus momentos mais cômicos, dada a forma leve, porém não menos livre de um não sei o quê de tristeza e decadência, com que a imersão de Hal no circuito homossexual de Los Angeles é retratada. Cristopher Plummer compôs um homem menos amadurecido pelo exercício de sua natureza do que pelas experiências infelizes da repressão sexual de uma sociedade puritana.  Um personagem muitas vezes inocente e deslumbrado diante das novidades de uma vida a qual, até então, só tinha sido possível conhecer as sombras.
Hal passa a participar de coletivos GLS, namora um rapaz 40 anos mais jovem, e assume o hábitus de senior gay com o qual sempre sonhou.  Vive seu auge pessoal durante quatro anos, até descobrir que está com seus dias contados. A vida na qual havia tão recentemente principado, como um jovem no limiar de seus caminhos – a beginner - teria que ser interrompida de forma inexorável.  Ele compartilha essa realidade trágica apenas com seu filho, o nosso narrador, que passa, com isso, a carregar nos ombros toda a infelicidade com a qual, acredita ele, estiveram entretecidas as existências de seus pais.
Diante da constatação de uma realidade subterrânea no seio de sua família, Oliver começa questionar a lógica sob a qual se apresentava a versão “oficial” dos fatos que, até então, fundamentavam o seu modo de ver e viver no mundo.  Esses novos dados o fazem viajar de volta para o mundo solitário de Georgia, a sua mãe, e testemunhar, mais uma vez, e então incisivamente, a forma como ela estava presa a um casamento automático e sem vida. Oliver faz uso da memória coletiva de seu tempo - o espírito impresso nos jornais, nos filmes e nos anúncios publicitários - para nos dizer como os imperativos sociais foram preponderantes para confinar a identidade sexual de Hal. Ele mostra, através desses recursos relativamente externos ao caso, a forma como a sociedade norte-americana operava na a concepção de um modelo padrão para a instituição familiar. Esse é o plano de fundo de The Beginners: um argumento que se sugere como o ditame para as dinâmicas objetivadas no filme. Um plano que fala da crudeleza velada com a qual são tratadas as relações e os fenômenos sociais que não concordam com aquele padrão estático e incontestável pincelado nas reflexões de Oliver.
The Beginners tem como acessório fundamental a relação de Oliver com Ana (Mélanie Laurent), uma atriz francesa que, ao seu modo, também atravessa por crises existenciais. É no envolvimento desses dois personagens que se aprofunda o que, digamos assim, podemos chamar de “a moral do filme”. O romance de Oliver e Ana é intensamente marcado pelos traumas familiares que esses indivíduos, com destaque para o padecimento de Oliver, carregam para suas vidas adultas. O casal de namorados não é capaz de escapar da sombra de seus pais, exemplos práticos do fiasco irreversível que pode ser a vida conjugal. Estão, portanto, embargados pelo medo de principiar naquela que pode ser a única tentativa certa de alcançar a felicidade - tão sólida é a herança maldita de seus progenitores. Psicanálise pura.
A presença marcante de Laurent, e não só isso, como também toda a atmosfera fluída e a sensação de que o filme foi gravado em grande parte sob aquela orientação revolucionária de “ideia na cabeça e câmera na mão”, faz com que, em muitos momentos, The Beginners traga algo do prolífico cinema francês dos anos 1960 e 70.  Mike Mills, ao que tudo indica, concebeu esse filme como um belo tributo à Nouvelle Vague: impossível não lembrar de filmes como A band apart (Jean-Luc Godard, 1964) ao assistir a sequência em que o casal protagonista vai a um clube de patinação, cria caso por causa do cachorro de estimação de Oliver, anda de patins pelas ruas de Los Angeles e finda, ainda sobre os patins, num passeio pictórico pelo corredor de um luxuoso hotel. 
O filme é muito bom. Não vou contar o final. Pra isso existem os DVDs nas locadoras e os arquivos disponíveis na web que podem trazer pras suas vidas, muito melhor do que este meu texto, a beleza e as verdades nem sempre belas que The Beginners encerra em si.
Amor,

Wyncla.   

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cravos da Libertinagem, o logo.



Logo do Cravos criado por um amigo meu, publicitário de Itaituba, Clóvis Guedes. O interessante é que não foi uma encomenda. Clóvis conheceu o coletivo através do blog e daquilo que eu com ele conversei. Gostou da ideia e resolveu colaborar com a arte na construção de nossa marca. 
Acredito que seja esta a vibe essencial do grupo: uma rede pra difusão da arte, orientada pela liberdade. O fato de termos a logo pensada pelo Clóvis, um cara que, por estar em outro município, tem uma ligação relativamente indireta com o coletivo, demonstra bem isso. Ademais, essa colaboração mostra que nosso movimento tá conseguindo tocar e inspirar as pessoas. Esperemos que seja a primeira de muitas produções que, por meio do Cravos, vai ganhar espaço e levar as nossas ideias pro mundo.  


     Três e quarenta e cinco da manhã; eu estou no banheiro. Passei o dia parecendo que dentro de mim havia umas cem mil agulhas machucando meu empobrecido e cansado coração. Insuportável. Apesar da babaquice generalizada, querida, eu ainda consegui me manter são, na medida em que isso é possível, é claro.
     Deixo a água percorrer todo o meu corpo. Concentro-me em sentir cada pingo do chuveiro em meu corpo, pois isso me faz esquecer brevemente das porras das cem mil agulhas que inutilizam meu coração gradualmente. Deito em minha cama paudurecente*, mas do que adianta se eu não tenho com quem foder? As bebidas não me proporcionam prazer nenhum e o cigarro agora é apenas um passa-tempo ridículo.
     Lembro que eu costumava sorrir e o dia era radiante e colorido quando estávamos juntos. Entretanto, ultimamente, nem me lembro qual o som do meu sorriso, quais são as cores que existem além de preto e branco. Ainda estou com o pau durão, mas não sinto vontade de gozar, não sinto amor.

Ass: Viesczy

*Paudurecente: ereção saudável; coloquialmente, ficar de pau duro.