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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Insônia

Essa insônia não me maltrata, ela é minha amiga, ajuda a despertar minha vontade de potencia, faz um melhor reflexo do meu dia, e depois dela tudo é apenas um sonho, um despertar que é o dia. Enquanto estou aqui, penso na vida, naquela calçada que hoje sentei, na conversa que tive com meus amigos, quantos cigarros fumei e quantos minutos de vida perdi. Penso nas possibilidades, nas frustrações que quase não tenho, em tudo que me disseram, penso, penso e imagino, virtualizando o futuro, sonhando acordado com o presente, e foi assim...

segunda-feira, 7 de maio de 2012



     Três e quarenta e cinco da manhã; eu estou no banheiro. Passei o dia parecendo que dentro de mim havia umas cem mil agulhas machucando meu empobrecido e cansado coração. Insuportável. Apesar da babaquice generalizada, querida, eu ainda consegui me manter são, na medida em que isso é possível, é claro.
     Deixo a água percorrer todo o meu corpo. Concentro-me em sentir cada pingo do chuveiro em meu corpo, pois isso me faz esquecer brevemente das porras das cem mil agulhas que inutilizam meu coração gradualmente. Deito em minha cama paudurecente*, mas do que adianta se eu não tenho com quem foder? As bebidas não me proporcionam prazer nenhum e o cigarro agora é apenas um passa-tempo ridículo.
     Lembro que eu costumava sorrir e o dia era radiante e colorido quando estávamos juntos. Entretanto, ultimamente, nem me lembro qual o som do meu sorriso, quais são as cores que existem além de preto e branco. Ainda estou com o pau durão, mas não sinto vontade de gozar, não sinto amor.

Ass: Viesczy

*Paudurecente: ereção saudável; coloquialmente, ficar de pau duro.